Em nosso artigo anterior abordamos, entre outros temas, os tipos de manutenção para ambientes de missão crítica e a importância de um programa de manutenções.
A melhor maneira de gerenciar as manutenções é através de um CMMS - Computerized Maintenance Management System. O CMMS depende de um banco de dados e como todos bancos de dados, será tão bom quanto os dados que estão em sua base. É crucial que esses dados sejam precisos e protegidos de acordo com as políticas de segurança para os demais dados da organização.
Este é o ponto de partida para gestão eficaz de infraestrutura de facilities. O CMMS deve conter uma lista abrangente e atualizada de todos os equipamentos de instalações críticas. Esta lista deve conter os sistemas e seus subcomponentes, desde que estes tenham seu próprio controle de manutenção, como por exemplo, uma torre de resfriamento de água e as bombas a ela associadas. Já as partes que integram um sistema, como as baterias internas de um UPS, fazem parte deste ativo e são consideradas dentro da gestão de manutenção deste item.
O banco de dados de cada ativo deve, no mínimo, conter as seguintes informações: identificação do ativo; tipo do ativo (elétrica, mecânica, sistema de incêndio, etc.); subtipo: segundo nível de classificação (PDU, CRAH, VESDA, etc.); descrição; fabricante; modelo; dimensões ou classificação; fornecedor; número de série; data de instalação; garantia e data estimada de substituição (EOL – Fim de Vida (End of Life)). Quanto mais dados, mais relatórios poderão ser elaborados.
Cada ativo ou item da lista de equipamentos deve possuir um escopo detalhado dos serviços (SOS – Scope of Services) a ele associados. O SOS contém informações sobre a frequência de manutenção e os tipos de manutenção. Por exemplo, uma unidade CRAH pode ter 12 rotinas de manutenção por ano, com 1 evento anual, 3 trimestrais e 8 mensais. O SOS também contém a quantidade de tempo alocado por técnico para realizar cada atividade de manutenção.
Cada tipo de manutenção deve ter uma lista detalhada das atividades e tarefas associadas a ela. O nível de detalhe deve ser por tarefa. Por exemplo, "Verificar filtros". Remover uma tampa para chegar ao filtro seria detalhe desnecessário para este fim. Por outro lado, "Verificar todos os parâmetros operacionais" não teria detalhe suficiente em si, para especificar com precisão o serviço a ser executado. Seria considerada uma atividade e precisaria ser detalhada em tarefas específicas.
Um cronograma de manutenção bem elaborado é um componente chave para a disponibilidade do sistema e a confiabilidade dos equipamentos. O agendamento das manutenções deve ser feito no CMMS e para todos os ativos de infraestrutura crítica. A programação será baseada nas recomendações dos fabricantes, condições do local, histórico dos equipamentos, padrões da indústria e em melhores práticas do mercado. Tudo será automaticamente considerado pelo CMMS na programação, desde que previamente cadastrado, para cada ativo, incluindo os recursos humanos e materiais para a realização do trabalho e incluirá alertas para reposição de estoque de peças, conforme estoque mínimo definido e ordens de compras de peças e materiais específicos para uma determinada manutenção.
O CMMS deve estar configurado para aceitar adiamentos de manutenções e sazonalidades de congelamento de determinadas atividades.
O Programa de Manutenção deve ser revisto periodicamente como resultado da análise de relatórios, considerando adições, exclusões ou modificações de rotinas.
Com todos os dados dos ativos e o histórico de manutenções, o CMMS poderá ser efetivo na determinação do fim de vida útil de ativos e componentes, antecipando ou atrasando o EOL estimado no comissionamento.
José Roberto da Silva DCEP, CEA, CEE, CEM, CET, CEFA e Luís V. R. Dória DCEP, CEA, CEE, CEM, CET, CEFA — diretores da Top Tier Infrastructure.
